O orçamento da Câmara da Guarda para 2021 foi aprovado em Assembleia Municipal, mas a votação ficou marcada por duas intervenções de presidentes de Junta de Freguesia do PSD, que votaram contra este documento

E parece que Carlos Chaves Monteiro, presidente do executivo camarário estava a adivinhar que algo poderia acontecer, quando na intervenção inicial, apelou à responsabilidade dos deputados na hora da votação. Carlos Chaves Monteiro voltou a apelar ao sentido de responsabilidade e causa pública dos deputados municipais, parecendo deixar este recado para o interior da bancada Social Democrata e para os autarcas de freguesia.

Ora, este apelo do presidente da Câmara da Guarda não teve eco no autarca de freguesia do Rochoso/Monte Margarida. O Social Democrata António Simões, diz que este executivo esqueceu-se de ouvir as freguesias durante a elaboração do orçamento municipal. O autarca de Freguesia disse na Assembleia Municipal que Sérgio Costa, vereador do PSD sem pelouros, teve um papel preponderante para que as recentes reuniões que o presidente da Câmara da Guarda teve com os autarcas de freguesia acontecessem, no sentido de serem dadas garantias que obras reclamadas, fossem uma realidade no próximo ano. António Simões lançou um repto a Carlos Chaves Monteiro, que este assumisse naquele local e publicamente, os compromissos verbais que o autarca da Guarda fez aos presidentes de junta, recentemente.

Mas as declarações mais fortes vieram do presidente da Junta de Freguesia de Santana D’azinha, o Social Democrata José Gonçalves, referiu inicialmente, que iria votar contra o orçamento, justificando com incumprimento de promessas e com o atual rumo dos acontecimentos. O autarca de Santana d’Azinha disse que esperava ver o reforço de verbas para os acordos de cooperação das freguesias já neste orçamento. José Gonçalves diz que há anos que lhe é prometido a rede de saneamento básico para a freguesia, e que mais uma vez, nenhuma verba está contemplada neste orçamento.

Mas a declaração mais forte aconteceu já no final da sua intervenção. O autarca de Freguesia Social Democrata, José Gonçalves disse que Carlos Chaves Monteiro não será presidente da Câmara da Guarda daqui a um ano, referindo que há um descontentamento generalizado. O presidente da Junta de Santana d’Azinha desafiou os pares daquele órgão a manifestarem esse descontentamento publicamente.

Na resposta, Carlos Chaves Monteiro recusou ultimatos, e disse, que «não preciso de dar a palavra em lado nenhum»

Ora com esta resposta, o autarca de freguesia do Rochoso/Monte Margarida, acabou por votar contra este orçamento juntando-se assim ao seu colega de partido de Santana d’Azinha.

Mas as surpresas não ficaram por aqui, Cidália Valbom, Presidente do órgão e eleita pelos Social Democratas fez uma declaração de voto, algo sugeríeis, referido que votou a favor do orçamento porque o Presidente da Câmara da Guarda demonstrou ali, a intenção de cumprir as promessas feitas aos autarcas de freguesias do concelho, e que este deixou entender que vai utilizar o saldo de gerência que transita para o próximo ano, para honrar os compromissos com os autarcas do concelho.

Resta acrescentar que em valores nominais, o orçamento da Câmara da Guarda para o próximo ano, foi aprovado com 59 votos a favor, 2 abstenções e 12 votos contra.