A Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG) atingiu um marco histórico na sua prestação de cuidados de saúde ao realizar, pela primeira vez, uma cirurgia de enucleação prostática com laser Holmium (HoLEP). Esta intervenção, coordenada pelo médico urologista Hugo Antunes, é considerada uma das abordagens mais avançadas a nível mundial para o tratamento da hiperplasia benigna da próstata, uma patologia que afeta frequentemente homens a partir dos 50 anos. De acordo com médico, esta cirurgia é realizada por via endoscópica, o que significa que o acesso é feito através da uretra, sem qualquer necessidade de incisões na pele. Com o recurso a um laser de alta energia, a equipa consegue remover o adenoma da próstata que causa a obstrução urinária. Esta técnica substitui, com grandes vantagens, a cirurgia aberta tradicional, eliminando os riscos de hemorragias significativas, a necessidade de transfusões de sangue e o uso prolongado de sondas vesicais após a alta.
O impacto na qualidade de vida dos doentes é imediato. Hugo Antunes destaca que o procedimento permite que os pacientes sejam operados praticamente em ambulatório, recebendo alta logo no dia seguinte. Além do benefício direto para o utente, a técnica reduz a necessidade de recursos hospitalares, tornando-se vantajosa tanto para o doente como para a própria instituição.
A técnica em Portugal ainda é recente e limitada a poucas unidades hospitalares. O especialista sublinha que a ULS da Guarda está à frente da maioria dos hospitais portugueses neste aspeto, uma vez que muitos centros nacionais apenas iniciaram a prática desta técnica no último ano, apesar de a mesma já estar consolidada na Europa e nos Estados Unidos.
A concretização deste avanço foi possível graças ao investimento num equipamento de laser de alta tecnologia, disponível na unidade há cerca de dois meses. Este equipamento é versátil, além de permitir esta cirurgia inédita à próstata, já foi utilizado pela equipa de urologia da ULSG em outras intervenções.
Hugo Antunes acredita que esta técnica se tornará o padrão nos hospitais nacionais devido às suas vantagens “inequívocas”. No entanto, reconhece que a sua expansão poderá ser gradual, dado o elevado custo do equipamento e a complexidade da aprendizagem para os médico.


