A Feira de São Bartolomeu, a feira franca mais antiga do país ainda em atividade, reafirma-se anualmente como o ponto de união da comunidade de Trancoso. Segundo o Presidente da Câmara Municipal, Daniel Joana, o evento é marcado pela pergunta ritualística que surge em todas as conversas a partir de certa altura do ano: “Encontramo-nos na feira?” Este questionamento acompanha os jovens, as chamadas de familiares no estrangeiro e as mensagens entre amigos, celebrando uma tradição de encontros que se repete há 753 anos.
Para o autarca, o certame é um lugar privilegiado de convergência de compradores e vendedores da Beira, da Raia e da Serra se reúnem para comercializar e estabelecer contactos de negócio para o resto do ano. Além da vertente comercial, a feira possibilita o contacto com artistas nacionais e, acima de tudo, o reencontro com vizinhos que vivem em França, primos de Lisboa e antigos colegas de escola, consolidando-se como o espaço de eleição para a comunidade trancosense e populações vizinhas. A relevância da Feira de São Bartolomeu é tal que dita o próprio ritmo da região, servindo como o centro do ano cívico em detrimento dos calendários civil ou letivo. Prova disso é o facto de muitos agricultores ainda pagarem as rendas dos seus terrenos no ciclo “de feira a feira”. Face a esta importância, o autarca relembrou que Assembleia Municipal de Trancoso aprovou, em fevereiro, a classificação da feira como património cultural imaterial de interesse municipal por unanimidade.
Daniel Joana evocou ainda a dimensão histórica e literária do evento, lembrando que, já em 1534, Gil Vicente imortalizou a expressão “Vou-me à feira de Trancoso” numa peça apresentada ao Rei. Para o Presidente, esta frase representa a alma e a identidade local, resumindo o sentimento de todos os Trancosenses, ou também denominados, “Trancosanos”.


