A prestação de contas de 2025 da Câmara Municipal da Guarda foi aprovada pela maioria, contando com a abstenção dos vereadores do PSD e do PS. O documento revela um resultado líquido negativo de cerca de 300 mil euros, um valor que gerou interpretações divergentes entre o executivo e as forças da oposição. O Presidente da Câmara, Sérgio Costa, afirmou que o município está de «boas contas» e que o resultado de 2025 é o terceiro melhor resultado dos últimos sete anos. Segundo o autarca, o défice de 300 mil euros justifica-se pelo atraso no recebimento de fundos comunitários: a autarquia já investiu e pagou cerca de 3,5 milhões de euros do Centro 2030 e aguarda outros 2,5 milhões do plano de revitalização, montantes que ainda não entraram nos cofres municipais.

Sérgio Costa destacou ainda que a execução da receita fixou-se em 86% e a da despesa em 77%, sublinhando que o prazo médio de pagamentos é de 42 dias, o que considera satisfatório.

Sobre os gastos com pessoal, justificou que cerca de 1,5 milhões de euros resultam de atualizações salariais e progressões de carreira impostas por lei a nível nacional, e não por decisão discricionária do município. No que toca à dívida, o presidente revelou que foram amortizados 2,2 milhões de euros em empréstimos, sendo que apenas 200 mil euros se referem ao atual mandato.

Do lado do PSD, o vereador João Prata manifestou preocupação com o que considera ser um «constante degradar da situação financeira» desde 2021. Embora não considere o prazo de pagamento de 42 dias grave, alertou para a necessidade de corrigir o rumo para não comprometer o esforço feito em mandatos anteriores. João Prata salientou o aumento do passivo em cerca de 7 milhões de euros e a passagem de um saldo positivo em 2024 para um negativo em 2025.

Já António Monteirinho, vereador do PS, criticou o aumento de 2,2 milhões de euros (12,5%) nos gastos com pessoal, classificando-o como excessivo. O socialista também evidenciou o facto do exercício ter passado a ser negativo em 2025. O vereador socialista focou-se também nos procedimentos de contratação pública, considerando o recurso excessivo a ajustes diretos. Para António Monteirinho, este modelo reduz a concorrência e torna a gestão «menos transparente» e possíveis perdas para o erário publico.

Em resposta às críticas, Sérgio Costa refutou a ideia de degradação financeira, lembrando que em anos anteriores (2019-2021) os resultados negativos foram superiores, chegando a atingir 1,2 milhões de euros negativos em 2021. O autarca terminou desafiando  a oposição a pressionar o governo central para que os fundos comunitários cheguem «a tempo e horas» às autarquias.

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