A Operação “Tranca Segura”, levada a cabo pela PJ da Guarda, desmantelou uma rede de tráfico de droga que operava em quatro prisões, entre elas o E.P da Guarda da qual resultou 20 pessoas detidas. Numa vasta operação policial que culminou na detenção de 20 pessoas (17 homens e 3 mulheres) suspeitas de integrar uma associação criminosa dedicada ao fornecimento de estupefacientes aos Estabelecimentos Prisionais (EP) da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego. A investigação, que durou cerca de um ano e meio, revelou um esquema organizado onde a droga era introduzida nas cadeias através de visitas, muitas vezes sob coação. Em conferência de imprensa, o diretor do Estabelecimento Prisional da Guarda, Luís Couto, explicou que a operação teve origem em abril do ano passado, após o estabelecimento ter detetado a entrada de substâncias ilícitas e solicitado a colaboração da Polícia Judiciária.

No decorrer da Conferência de Imprensa, o coordenador da PJ da Guarda, Alexandre Branco, sublinhou que o sucesso da ação deveu-se à estreita articulação com os serviços prisionais, referindo que as diligências iniciais de prevenção permitiram perceber que o tráfico não era um fenómeno pontual, mas sim estruturado. Segundo Alexandre Branco, a rede apresentava uma “estrutura bastante organizada”, cujos mandantes eram os próprios reclusos.

As autoridades detetaram métodos criativos de dissimulação, incluindo pólen de haxixe transportado no interior do corpo, cocaína escondida em rolos de carne e drogas sintéticas impregnadas em papel com supostas mensagens de crianças.. Um dos pontos de maior preocupação destacados por Alexandre Branco foi a apreensão de papéis impregnados com K4, um canabinol sintético potente, que provoca surtos psicóticos repentinos, agressividade e convulsões entre a população prisional. O esquema passava por levar a droga até à porta dos estabelecimentos prisionais, e posteriormente era entregue a visitas, que a introduziam nas cadeias. Algumas destas visitas estariam a ser coagidas, atuando por medo de represálias contra os seus familiares detidos. Alexandre Branco foi categórico ao afirmar que, até ao momento, não foi detetado qualquer envolvimento de funcionários do EP, civis ou guardas prisionais, neste esquema. O coordenador da PJ da Guarda está convicto que esta rede operava como uma associação criminosa.

Esta ação contou com cerca de 100 elementos da Policia Judiciara, de várias unidades da PJ.

Os detidos enfrentam agora acusações de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida, aguardando a aplicação de medidas de coação no DIAP da Guarda. Em resultado destas diligências foram encontradas e apreendidas cerca de 81 mil euros em dinheiro, 80 doses individuais de heroína, 120 doses de cocaína, sete papéis impregnados com estupefacientes, duas armas de fogo, 71 munições de diverso calibre, incluindo o das armas apreendidas, quatro balanças de precisão, 31 telemóveis e ainda três viaturas.

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