No âmbito da data, foram divulgados os dados mais recentes sobre a situação social no país. Pela primeira vez, o número total de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social em Portugal fixou-se abaixo dos 2 milhões, contabilizando-se 18,6% da população. Cátia Azevedo do núcleo da EAPN da Guarda destaca, que por trás dos números estão vidas reais e direitos que enfrentam barreiras no acesso à habitação, emprego estável e serviços essenciais.
«Hoje, dia 17 de outubro, assinala-se o Dia Internacional para a erradicação da pobreza1. Os dados mais recentes mostram uma evolução positiva da situação social em Portugal. Em 2025, pela primeira vez, o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social ficou abaixo dos 2 milhões, mais concretamente 1.995.000 pessoas, ou seja, 18,6% da população.
No entanto, não se passa o mesmo em todas as regiões. Concretamente na região centro, verificou-se o a em relação ao ano anterior para 19,9%, ou seja, um em cada cinco pessoas está em risco de pobreza ou exclusão social. Destaca-se o agravamento das situações de pobreza para as famílias monoparentais, jovens entre os 12 e os 17 anos e também na população idosa.
Na caracterização das pessoas que vivem com menos de 723 € por mês o limar de pobreza, 50,9% são agregados com crianças dependentes e 47,6% das pessoas que estão inseridas no mercado de trabalho.
Por trás destes indicadores estão pessoas concretas, com vidas, direitos e projetos de futuro1. A pobreza continua a marcar o dia a dia de quem vive com baixos rendimentos, quem trabalha e não vê o seu salário acompanhar o custo de vida, quem enfrenta dificuldades no acesso à habitação, emprego precário ou desigualdades no acesso a serviços e direitos.
Esta dimensão humana que deve estar no centro das políticas públicas que devem ser capazes de prevenir a pobreza, reduzir desigualdades e garantir a todas as pessoas condições para viver com dignidade, exercer plenamente os seus direitos e serem atores ativos na sociedade.
Neste 17 de outubro, a EAPN Portugal reafirma que a pobreza não é inevitável, nem pode ser entendida como uma responsabilidade individual1. Erradicar a pobreza não é apenas reduzir números, é garantir direitos, dignidade, participação e justiça para todas as pessoas»
Cátia Azevedo – Núcleo da Guarda da EAPN


