Mais do que uma alteração de nomenclatura, a mudança assinala o reconhecimento da excelência académica e científica da instituição pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) e o início de uma nova era para a região e para o país.

Em declarações à Rádio F, que marcam este novo capítulo, o agora Reitor da Universidade Politécnica da Guarda, Joaquim Brigas, sublinhou que este é um marco histórico para a Guarda, pois a cidade ganha uma instituição com pleno potencial em termos de ensino, investigação e contributo para o desenvolvimento do território.

Para Joaquim Brigas, a passagem a universidade representa uma responsabilidade acrescida e afirma que com a passagem a Universidade, ganha-se, sobretudo, a capacidade da instituição construir o seu futuro

Ter uma universidade neste território é uma das mais importantes infraestruturas estratégicas para o desenvolvimento, afirmou o agora Reitor, reforçando o compromisso de manter a proximidade com as empresas e os municípios da região.

Manifesto sobre a UPG:

Mais do que um novo nome, um novo futuro para a Guarda

“A partir de hoje, o Instituto Politécnico da Guarda passa a designar-se Universidade Politécnica da Guarda.

Para alguns, poderá parecer apenas uma mudança de nome.

É muito mais do que isso. A nova lei consagrou esta designação, mas ela só foi possível porque uma avaliação independente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) confirmou que a instituição reunia os mais elevados padrões de qualidade. O nome mudou porque o percurso o justificou. O verdadeiro desafio começa agora. A questão não é a mudança da designação. A questão é saber o que esta Universidade pode representar para a Guarda, para a região e para Portugal. Durante décadas, o desenvolvimento dos territórios mediu-se pelas estradas, pelas zonas industriais ou pelos grandes equipamentos públicos. Tudo isso continua a ser importante. Mas já não basta.

Hoje, o desenvolvimento depende, cada vez mais, da capacidade de formar pessoas qualificadas, produzir conhecimento, atrair talento, criar inovação e transformar esse conhecimento em oportunidades.

É essa a visão que inspira as políticas europeias e nacionais. O Plano de Recuperação e Resiliência veio reforçar uma ideia simples: o conhecimento tornou-se uma das principais infraestruturas do desenvolvimento.

Se o século XX foi o tempo das grandes infraestruturas físicas, o século XXI será o tempo das grandes infraestruturas do conhecimento.

E poucas são tão importantes como uma universidade. Uma universidade não existe apenas para ensinar. Existe para produzir conhecimento, desenvolver investigação, apoiar a inovação das empresas, colaborar com os municípios, qualificar profissionais ao longo da vida e ajudar a resolver os desafios da sociedade. Quando uma região ganha uma universidade, ganha muito mais do que uma instituição de ensino superior. Ganha capacidade para construir o seu futuro.

É isso que hoje representa a Universidade Politécnica da Guarda. É verdade que a nova lei permitiu que treze institutos politécnicos passassem a designar-se universidades politécnicas. Mas seria um erro concluir que esta mudança se resume a uma alteração de nome. As leis mudam designações. A qualidade, a investigação, a inovação e o reconhecimento científico constroem-se ao longo dos anos.

A Universidade Politécnica da Guarda inicia esta nova etapa preparada para assumir plenamente essa responsabilidade. Já neste ano letivo oferecerá três programas de doutoramento, integra a Universidade Europeia UNITA, participa em projetos internacionais de investigação e trabalha diariamente com empresas, municípios e instituições da região. A lei não criou esta realidade. Reconheceu um percurso construído ao longo de décadas.

Num território que enfrenta desafíos demográficos particularmente exigentes, uma universidade tem uma missão que vai muito além do ensino. Tem de atrair talento. Tem de apoiar a inovação. Tem de criar emprego qualificado.

Tem de ajudar a fixar pessoas. Porque o desenvolvimento deixou de depender apenas daquilo que um território possui.

Depende, sobretudo, daquilo que é capaz de criar. As regiões que produzem conhecimento atraem talento. As regiões que atraem talento inovam. E as regiões que inovam criam riqueza, oportunidades e melhor qualidade de vida. É por isso que uma universidade é hoje uma das mais importantes infraestruturas estratégicas de um território.

É essa missão que a Universidade Politécnica da Guarda assume. Quer produzir mais conhecimento e colocá-lo ao serviço das pessoas. Quer reforçar a investigação, sem perder a proximidade às empresas, aos municípios e às instituições da região. Quer afirmar-se internacionalmente, mantendo sempre uma forte ligação ao território que lhe dá identidade.

O interior não precisa de resignação. Precisa de confiança. Precisa de ambição. Precisa de conhecimento. Precisa de inovação. Hoje não termina um percurso. Hoje começa uma nova responsabilidade. A responsabilidade de fazer da Universidade Politécnica da Guarda uma âncora de conhecimento, inovação e futuro para a Guarda, para a região e para Portugal. Porque uma universidade não vale pelo nome que tem. Vale pela diferença que faz na vida das pessoas e no futuro do território que serve.”

Joaquim Brigas

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