A Câmara Municipal da Guarda aprovou, por maioria, uma alteração à sua estrutura orgânica, uma medida que o presidente do município, Sérgio Costa, considera fundamental para corrigir setores que não estavam a funcionar de acordo com o esperado. A nova organização, que contou com um estudo da consultora internacional Deloitte, surge da necessidade de ajustes após quatro anos da estrutura anterior. De acordo com o autarca, a nova orgânica foca-se numa ligação mais direta entre o poder político e as respetivas unidades funcionais. Embora mantenha alguma verticalização, a estrutura passa a contar com 14 divisões, distribuídas equitativamente por dois departamentos (sete divisões em cada). Uma das alterações mais significativas é a redução drástica das secções, que passam de 13 para apenas três, com o objetivo de aproximar o poder decisório das chefias de divisão e do executivo.
A proposta não reuniu consenso total, com a oposição a levantar dúvidas sobre os custos e a estratégia. João Prata, vereador do PSD, revelou que o partido optou pela abstenção para dar um “benefício da dúvida”, mas não poupou críticas ao facto de a autarquia ter gasto cerca de 110 mil euros em estudos com a mesma consultora em menos de quatro anos.
Já António Monteirinho, vereador do PS, criticou a criação de dois departamentos quando anteriormente se defendia a sua inexistência, classificando a decisão como contraditória. O socialista estimou um impacto financeiro na ordem dos 360 mil euros, afirmando que a nova orgânica reflete apenas a «ambição política do atual executivo».
Em resposta às críticas, Sérgio Costa defendeu a opção pelos dois departamentos com base nas recomendações dos consultores e na nova organização das 14 divisões. O presidente contestou a leitura da oposição sobre o incremento de custos, explicando que o número total de chefias diminuiu.


